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Leandro Elesbão

sábado, 8 de fevereiro de 2020


Pâmela tenta reorganizar suas ideias, já pensando num pretexto de entender o que Weslley falara ali em sua frente e diz para o rapaz, que esperava por uma resposta sua, com uma expressão bem séria:
- Posso pelo menos saber do que está falando pra eu entender melhor esta sua conversa?
Weslley sorri com sua resposta, de uma forma um pouco debochada e diz:
- Não acredito que está me perguntando isso!
- Por favor, que história é essa de eu estar mentindo pro seu irmão? Quem é seu irmão? - Interroga Pâmela que já se sente um pouco desconfortável com a situação.
Weslley coloca a mão na cabeça e respira ofegante. Em seguida, responde:
- Eu a vi beijando meu irmão no mesmo clube que nos conhecemos.
Ao ouvir aquilo, a jovem fica perplexa e aparentando um jeito diferente de agir, diz:
- Desculpa. Eu não sabia que vocês dois eram irmãos.
- Sabe o que me impressiona, Pâmela é a sua ideia de revelar seu nome verdadeiro pra ele.
Pâmela fica sem hesitação no momento e responde:
- Eu ia dizer a verdade ok! Tudo no seu momento certo. A gente se conheceu pela internet e eu não tinha noção nenhuma antes de como era o seu irmão. Eu menti sobre minha identidade pra tentar me preservar.
- Já se passaram dias. - Diz Weslley, rebatendo. - Você devia ter dito que não se chama Mariana e sim, Pâmela. Mas isso não é o pior não! Ele não faz ideia que a gente também se conheceu e que nos beijamos.
- Nosso encontro foi legal também. - Diz ela, séria. - Se eu soubesse que você era irmão dele, eu nunca teria me aproximado.

Revelação

- A culpa não é só sua! Eu também me aproximei. Aliás, fui o primeiro a puxar conversa naquela mesa de bar. - Responde Weslley, se sentindo chateado.
- Vocês dois são legais. Bastante diferentes, claro! Mas eu preciso pensar no que vou fazer daqui pra frente. Eu não quero magoar ninguém.
- Eu já estou sentindo que nesta guerra eu vou perder feio. 
- Por que diz isso? Weslley, pode parar ok! Foi apenas um encontro. Eu estou me sentindo confusa agora e querendo apenas descansar um pouco pra ver o que eu vou fazer.
- Um encontro apenas que me fez gostar de você. Mas você já declarou sua resposta. Você quer o Robson e não a mim. - Diz ele, saindo imediatamente e a deixando desolada.



Helen e Walter tentam conversar sem que houvesse algum desentendimento, mas ambos não conseguem. E o assunto é Renata como sempre!
- Eu já lhe disse mais de mil vezes para você não tomar conta de uma criança que não é sua. Já basta a nossa filha! - Diz Walter sério.
- Eu sei que você disse, mas eu gosto do menino, oras!
- Você é muito boba, Helen! Você precisa mudar, mulher! A Renata precisa ter consciência de que ela é mãe e que você não deve ter obrigações de cuidar do filho dela.
- Walter, eu já conversei com a Renata e ela está disposta á arrumar um canto pra ela e o filho morarem. Não vejo problemas nenhum em cuidar do menino. E além do mais, ela está procurando.
- Sei. Está procurando há três meses. Se tivesse realmente procurando, já teria achado.
- Você implica demais com ela. A Renata até se sente desconfortável com essa situação.
- Sério? Não me diga! Ela tem que se sentir sim. Enquanto ela se diverte, você cuida do filho dela que nem uma otária. - Diz Walter, tenso. - Acho melhor ela ir embora dessa casa mesmo. A estadia dela já passou dos limites. 
Ele sai e ela fica pensativa no sofá.

Dani e Ronaldo tomam um café numa lanchonete e o assunto rende.
- O que um turista como você faz aqui em Angra? - Pergunta Dani.
- Eu vim a negócios. - Disfarça Ronaldo.
- Interessante. E já conhece as ilhas?
- Ainda não tive tempo. Mas eu pretendo um dia.
- Se quiser, a gente pode dar um passeio.
- Eu vou gostar. Mas onde você iria me levar? - Se intriga Ronaldo.
- Logo você vai saber. - Diz Dani, pedindo a conta.
Alguns minutos depois, os dois passeiam juntos pela orla da Costeirinha, que se segue para a área do Colégio Naval. Ronaldo se encanta com a beleza do lugar e decide tirar uma selfie. 

Mirante da Costeirinha

No fim do dia, ele agradece Dani por o ter levado à lugares que ele não conhecia e ela sorrindo, diz:
- Você ainda não viu nada, Ronaldo! Amanhã está livre?
- Sim. - Diz ele, sorrindo.
- Então vamos marcar de se ver de novo.
- Tá bom. Vamos sim! - Diz Ronaldo satisfeito.
E conforme combinado na manhã seguinte, os dois saíram novamente juntos. Dani mostrou alguns lugares conhecidos pra Ronaldo e até andaram de jet-sky. Foram momentos intensos de alegria e prazer. 

Cafezinho

Na manhã seguinte, Humberto chega na ilha de Lopes Mendes, por volta das sete e meia da manhã. Ele encontra Tenório a sua espera no resort.
- Que surpresa vê-lo, senhor! Eu não sabia que já estava de volta. Por que não me disse? Eu o iria buscá-lo no aeroporto. - Diz o piloto, lhe ajudando com as malas.
- Não seria necessário. Agradeço a sua gentileza, Tenório! Eu peguei um avião fretado. Queria fazer uma surpresa pra Verônica. Ela está?
- No quarto. - Ele responde.
- Eu vou até lá. - Diz Humberto, se dirigindo ao quarto da filha enquanto os empregados e Tenório recolhem as bagagens.
Ao chegar lá, ele encontra a filha, que o olha pasma.
- Você não vai me dar um abraço?
- Pai, por que demorou tanto á chegar?
- Eu peguei um tempo ruim em São Paulo e os negócios....
- Eu já entendi, tá legal!
- Filha, porque você está me tratando assim? Nem parece que está feliz com a minha presença.
- O senhor sabe que eu odeio essa casa e odeio viver aqui sozinha. Se eu estivesse em Abraão, tudo bem, mas aqui é chato demais.
- Filha, você precisa entender que a nossa casa é aqui e eu não gosto que você fique na casa dos outros.
- São minhas amigas e os pais delas gostam de mim. Me dão atenção, coisa que o senhor não faz.
- Você acha que eu não lhe dou atenção né? - Pergunta ele, já se sentindo indignado.

Na parte de baixo da casa, os empregados já conseguem ouvir a discussão e Tenório comenta:
- Essa Verônica só arranja problemas pro pai. Se fosse minha filha, eu não deixaria falar desse jeito comigo não!
- Se aquieta Tenório. O problema da Verônica é que ela se acha demais nesta casa e o próprio pai não consegue perceber isso. - Diz uma das empregadas.
Tenório muda de expressão um pouco e a governanta percebendo, pede silêncio entte os empregados e chegando próximo do piloto, diz:
- Aconteceu alguma coisa?
- Só estou pensando. 
- Eu acho que já sei o que está pensando. Quer um conselho: por que você não vai atrás dele logo?
- Eu não tenho como achá-lo. Se passaram anos. - Diz Tenório.

Verônica e o pai ainda não se entendem.
- Eu não quero morar aqui com o senhor, meu pai. Eu quero a casa de minha mãe. Eu quero viver no mesmo lugar em que ela morou até o meu nascimento.
- Filha, a nossa primeira casa está fechada há anos. Eu não vejo nenhum problema da gente morar aqui.
- Claro que o senhor não vê problema, porque foi aqui que o senhor traía a minha mãe.
Humberto sente uma raiva por dentro e a ameaça lhe dar um tapa no rosto, mas ele não toma a atitude.
- Por que o senhor não me bate, meu pai? Ande! Estou esperando!
- Filha, eu cheguei cansado da viagem. Portanto, não me chateie com a sua infantilidade. Eu sei que você ainda não superou a morte de sua mãe, como eu também não superei, é claro. Mas eu quero que saiba que essa é a sua casa agora e que a gente tem um ao outro.
- Eu seria mais feliz se minha mãe estivesse viva e o senhor, morto!
- Então é assim que você me agradece? Eu te dou tudo e faço de tudo pra você se sentir feliz e em troca, eu recebo essa ingratidão. Você é muito diferente da sua mãe! - Diz Humberto, que sai do quarto apressado e se dirige ao escritório, deixando a filha sozinha resmungando.
Ao trancar a porta do escritório, ele se lembra de sua falecida mulher que prometeu amor eterno ao seu lado no altar e dos momentos que viveram juntos.
"- Você me ama, Humberto? - Ela perguntou numa das noites tristes que passara ao lado do marido, após uma crise de sua doença, que havia se manifestado pelo corpo.
- Sim, meu amor. Eu te amo muito! - Ele respondeu.
- Se eu morrer hoje, morrerei feliz, sabia? Feliz por você ter me contado toda a verdade sobre o seu caso e por você estar na minha companhia nesses momentos tão difíceis.
- Você não vai morrer, Valquíria! Você vai se recuperar dessa doença e nós dois iremos ter uma vida tranquila e cheia de planos.
- Eu quero tanto acreditar nisso, meu amor. Como eu queria acreditar?
- Você é a mulher da minha vida. Eu não saberia viver sem a sua presença.
- Você vai conseguir viver sem mim, Humberto. Você vai criar a Verônica, vai dar amor a ela, vai ensinar tudo que você sempre sonhou. Você vai conseguir porque você é forte, batalhador, sentimental do jeitinho que eu conheço. Humberto, você não vai se sentir sozinho. Nunca!
- Mesmo assim, eu não quero ficar sem você! Vai ser difícil cuidar dela sozinha.
- Mas você precisa, meu amor! Eu sei que você vai conseguir.
Humberto começa a se lamentar diante da mulher, que já estava se sentindo fraca.
- Amor? - Ela chama sua atenção ao vê-lo de cabeça baixa.
- Oi. 
- Eu vou ficar bem. Não se preocupa! Promete que vai seguir sua vida a partir de hoje?
- Eu não quero que você me deixe, mas te prometo sim!
- Eu te amo muito! Isso é tudo que você precisa saber. - Disse ela, no momento em que fechou os olhos e adormeceu.
A partir daquela exausta noite, Humberto decidira esquecer o passado. Ele nunca mais procurou a amante e decidiu dar uma guinada em sua vida. Criou a filha única.
Após a morte de sua mulher, ele saiu de Mambucaba, com a filha e o empregado Tenório, que já estava trabalhando há dois anos. Naquele tempo, ele ainda não era piloto experiente. Só depois de um certo tempinho, é que ele fez um curso pago pelo seu próprio patrão, para que pudesse pilotar o helicóptero recém-comprado.
A casa em Mambucaba fora fechada. Em memória a mulher, Humberto não vendera e nem alugara. Apenas fechara."

Vila Histórica de Mambucaba
Vila Histórica de Mambucaba

Humberto pensara naquele assunto há horas, quando de repente, decide pegar um livro na prateleira da biblioteca. Ele folheia as páginas do livro denominado Espumas flutuantes de Castro Alves, quando Verônica bate a porta.
Distraído, Humberto decide guardar o livro novamente na prateleira, mas uma fotografia cai das páginas. Ele destranca a porta.
- Eu queria me desculpar por ser tão rude contigo!
- Não precisa, filha! Você tinha motivos, não é mesmo?
- Sim. Eu acho que sou mesmo infantil e ingrata. O senhor me dá tudo e eu não valorizo isso.
Humberto fica em silêncio.
- Desde que mamãe se foi, eu vejo o quanto o senhor se esforçou pra me deixar bem e confortável.
- Que bom! Você é a minha única filha e o dia que eu partir desta vida, você precisa estar pronta pra administrar tudo.
- Por que falar desse jeito agora? O senhor não vai morrer!
- Ninguém sabe o dia de amanhã, Verônica. Tudo isso aqui que eu construí é seu patrimônio.
- Eu sei meu pai e vou fazer de tudo pra cuidar muito bem deste patrimônio.
- Eu não tenho dúvidas disso. - Diz Humberto, virando-se e indo pra mesa.
Verônica se aproxima da mesa onde estava o pai e o abraça fortemente, porém ao ver a fotografia de uma mulher caída no chão, sua expressão muda radicalmente.
Ela larga o pai em seguida e pegando a foto, pergunta séria:
- Eu posso saber quem é essa mulher da foto?
Humberto fica sem jeito com a pergunta.

Pâmela trabalha na loja quando Weslley reaparece.
- Será que a gente pode conversar?
- Da última vez que conversamos, não foi legal.
- Pâmela, eu não quero que o Robson saiba que a gente se conheceu no clube.
- Como é que é? Mas você e ele são irmãos! Ele precisa saber que nos conhecemos no clube.
- Ele não iria entender. Pâmela, o Robson é uma pessoa totalmente diferente do que você imagina. Ele se sentiria traído entende?
- Isso é loucura, Weslley! Eu não vou conseguir encarar o seu irmão sem dizer a verdade á ele.
- Eu estou apaixonado por você, Pâmela e quero ficar contigo pra sempre!
Pâmela fica atônita com a situação.
- Eu sei que você sente o mesmo por mim. O brilho dos seus olhos diz que o nosso primeiro encontro é o começo de tudo que ainda poderemos viver juntos. - Diz Weslley, pegando a mão delicada de Pâmela e levando em seu peito.
- Por favor, Weslley não faça isso!
- Sinta o meu coração, Pâmela! Cada batida significa uma palavra que se transforma num imenso carinho que sinto por sua pessoa.
- Não fala assim....
Sem dizer mais nada, ele o beija nos lábios dela e ambos se entregam ao profundo sentimento, que antes estava oculto, mas que agora estava vivo e em chamas novamente.


Shania chega na loja e os encontram, interrompendo a cena do beijo.
- Acho que cheguei numa má hora né?
Pâmela se afasta surpresa e fica confusa com o que acabou de acontecer.
- Deixa de ser boba. - Diz a jovem sem pensar. - Este é Weslley, irmão do Robson!
Shania encara Pâmela com um olhar surpreso e cumprimenta o bom moço.
- É um prazer conhecê-lo! - Ela diz.
- O prazer é todo meu! - Responde Weslley, gentilmente. - Pâmela, pensa no que eu te disse com carinho. 
- Pode deixar. - Diz a jovem.
Ele se despede das duas e sai porta afora.
Shania encara Pâmela com um olhar paralisante e questiona:
- Posso saber o que aconteceu aqui?
- Claro! - Ela responde, sem hesitação.

A noite, Robson encontra Pâmela na praça.
- Senti tanto a sua falta, meu amor! - Ele diz.
- Eu também! - Diz ela, lhe abraçando.
- Você está bem? - Ele pergunta.
- Sim. Estou! E você?
- Levando. Você disse que queria falar comigo algo importante. O que se trata, gata? - Ele fica curioso.
- Eu queria te contar uma coisa que houve no dia em que nós dois marcamos o primeiro encontro.
- Ah se for aquele mesmo assunto, sem problemas! Eu até nem lembro mais. Aquela noite foi péssima pra nós dois. Eu e você desencontramos e não rolou nada. Mas hoje finalmente as coisas mudaram né?
- O que eu queria te falar era mais do que isso, Robson! - Ela se prepara pra contar a verdade.
Robson a encara surpreso.
- Você está me assustando! O que houve naquela noite?
- Eu devia ter te contado quando nos conhecemos dias atrás, mas eu não te contei talvez por medo de perdê-lo, eu não sei.
- Por favor, me conta logo e sem rodeios!
- Ok!  - Ela suspira fundo. - Quando nos desencontramos no clube naquela noite, eu conheci uma pessoa e rolou um certo clima entre nós dois. Eu não sabia que voltaria à te ver novamente. Desculpa! - Ela diz, ofegante.
Robson fica hesitante um pouco.
- Eu não sei o que dizer. Mas Pâmela, porque me conta isso agora? Você e esse cara se reencontraram? - Pergunta Robson fazendo a jovem ficar séria.

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