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Leandro Elesbão

segunda-feira, 15 de abril de 2019


Suzi acende um cigarro de dentro do carro e depois, retoca a maquiagem. Em alguns minutos, ela sai e vai até o galpão antigo e encontra alguns seguranças na portaria. Um deles a reconhece de longe
- É a Suzi! Deixa entrar! - Ele ordena aos companheiros que fazem a segurança do local.
Suzi agradece com um olhar sedutor e um deles comenta ao próximo:
- Como essa mulher é gostosa, hein?
Ao chegar perto da entrada do escritório, Suzi abre a porta e o desconhecido a cumprimenta.
- Ora, ora! Quem está aqui! É a minha princesa Suzi. A razão da minha vida! - Ele beija sua mão.
- Vamos parar de brincar um pouco e falar sério agora.
- Hum. E o que você quer conversar, gata?
- Eu quero saber o que você fez com o Mathew.
- Caramba! Você só veio aqui por causa do policial? Eu não estou acreditando nisso, Suzi!
- Me diga a verdade! Diga que Mathew está bem!
- Quer saber mesmo a verdade? Ele está bem, sim! Não fizemos nada com o seu amado. O nosso plano está saindo muito bem, Suzi! Agora tenho um trabalho pra você!
- Olha, eu não vou mais fazer trabalho nenhum pra você. Você já tem o Matt, conforme combinamos. Não faço mais parte do seu grupo.
- Você está me dispensando, Suzi? Olha que posso fazer com que Matt descubra a verdade sobre você.
- Isso é uma ameaça? Porque se for, saiba que eu já contei á Matt que sou prostituta. Não tenho mais nada a esconder.
- É mesmo, Suzi? E aquele outro segredo que tínhamos? Matt não vai gostar nadinha de saber que a amante tem ficha criminal na polícia e que ela sabe mentir tão bem, a ponto de manipular quem cerca. É o caso do roubo no supermercado, ou pelo menos, a tentativa de roubo, no qual a heroína salva a mulher do príncipe.
- Você não deve estar falando sério. Nós tínhamos um acordo. Matt jamais iria saber disso. Você prometeu!
- Eu sinto muito, mas eu mudei minhas táticas. Se você pensa em cair fora do jogo agora, saiba que não é uma boa hora. Bom, você decide, Suzi?
- Eu te odeio, viu? - Diz Suzi, irritada.
- Aceite o trabalho que vou te propor e não me decepcione ou o seu segredo será escancarado pra cidade inteira. A polícia vai gostar de saber que você matou um cara, Suzi!
Suzi fica sem palavras e senta-se na cadeira. O desconhecido toca seu rosto e ela o encara fixamente.
- Você é tão bonita com essa expressão irritada!
De repente, ela cospe em seu rosto, que fica surpreso com tal ato. Ele se enche de fúria por dentro e lhe dá um soco no rosto.
- Nunca mais faça isso ou eu acabo com você, vagaba! - Diz ele, a deixando com marca no rosto.


Não me Provoque

Enquanto isso, Mathew fica pensativo com tudo que o tal homem disse a respeito de Smith e de Regina. Ele chega à conclusão de que deve sair dali o mais rápido possível e tentar descobrir a verdade sozinho pra ter certeza de que tudo que soube é verdadeiramente um fato lógico ou um simples engodo pra que ele não consiga resolver o caso em imediato.
De repente, ele ouve vozes vindo do escritório e escuta a voz de Suzi com o desconhecido.
- Não pode ser! Eu estou reconhecendo essa voz feminina. É a Suzi!

Já Smith fica preocupado em não receber a ligação de Matt e decide entrar em ação. Ao cercar todo o velho depósito, ele não o encontra e fica confuso.
- O que aconteceu com o Matt? Ele não está aqui!
Um dos policiais comenta:
- Senhor, o Matt não está em lugar nenhum. Algo deve ter acontecido a ele.
- Isso não pode acontecer. Vasculhe tudo! Matt tem que ser encontrado.
- Sim, senhor! - Diz um dos policiais.
Smith decide fazer uma ligação e avisa:
- O Matt desapareceu com o dinheiro. Fiquem alerta! - E desliga.

O desconhecido esquece a arma sob a mesa e vai no banheiro. Suzi aproveita a oportunidade que desejava ter.
- Vamos ver quem é o mais esperto aqui, otário!
Ela pega a arma da mesa e aponta em direção a porta do banheiro. O tal homem ao sair se surpreende ao ver o seu próprio revólver apontado em sua direção.
- Suzi, o que pensa que está fazendo?
- Estou fazendo o que deveria ter feito há muito tempo.
- Você não pode me matar. Você sabe disso tanto quanto eu! Eu ainda sou útil pra você.
- É claro que eu não posso te matar. Não ainda, mas vai chegar o dia em que não haverá mais nenhum motivo de deixá-lo vivo. Você sabe disso tanto quanto eu! Agora, me leve até o Matt!
- Você é uma safada, uma ordinária!
- Eu aprendi com você, meu amor! Agora, vá antes que eu perca a paciência e exploda seus miolos. - Diz ela, com a mão sob o gatilho.
O desconhecido leva Suzi até a sala onde Matt se encontra e os dois ficam frente a frente.
- Suzi? O que está fazendo aqui? - Se intriga Matt.
- Oi, Matt! É um prazer revê-lo, mas estou ocupada agora. Se puder fazer tudo que digo, vai me ajudar muito!
Matt consente e Suzi ordena que o desamarre.
O desconhecido desamarra Matt aos poucos, com uma expressão irada e Suzi olha para os lados, tentando ver se vinha alguém.  Depois de desamarrado, Matt se liberta de algumas cordas que ainda o envolvia e Suzi pede para o policial ficar próximo dela. Ele obedece.
- Suzi, eu preciso que ele me responda uma coisa importante. - Diz Matt, sensato.
- Tudo bem! - Diz ela. - Só não demore muito.
- Eu quero saber da Brendha. Onde ela está? - Ele interroga o tal homem.
- Eu não vou responder pergunta alguma. - Diz ele, irado.
- Você vai responder, sim antes que eu acabe com a sua vida nesta sala. - Diz ela, cheia de raiva com a arma na mão.
- Eu não vou falar porcaria nenhuma. Se quiser, pode me matar!-Diz ele.
Matt vira-se á Suzi e a encara. Depois, vira-se a ele e lhe dá um murro em seu tórax, que o faz cair no chão, se contorcendo de dor.
- Ui! Essa doeu até em mim! - Diz ela.
- Suzi, o que pretende fazer com ele? - Pergunta Matt, se afastando. - Ele pode ser útil. Ele sabe onde está Christine e o meu filho e a Brendha também. E sabe de umas paradas que ainda me confundem as ideias.
- Matt, você é um tolo em achar que a Suzi é de confiança. Ela também esconde algo de você. - Diz o homem, atrapalhando a conversa.
Nessa hora, Matt e Suzi se entreolham.
- Então, vai falar ou não desgraçado! - Diz ela, irritada, mudando um pouco o assunto.
- Vocês venceram! - Ele grita bravo.
Quando ele ia falar, ouvem-se rajadas de tiros e os dois são obrigados a cair fora dali o mais rápido possível.
- Vamos mantê-lo aqui dentro. E não se preocupe, meu amor! Apenas confie em mim. - Diz ela, correndo pra porta e trancando-o por dentro.
- Sua vagabunda! Me tira daqui! - Ele começa a gritar furioso de raiva. - Saibam que não vão escapar de mim, seus otários!
Suzi e Matt fogem correndo do escritório e os capangas decidem segui-lo por todo o galpão abandonado. Com a arma apontada em sua direção, o segurança libera acesso pra Suzi e Matt passarem. Depois, eles entram no carro e fogem apressadamente.
- Você é louca, Suzi! Agora percebi o quanto você é louca. - Diz Matt, aliviado por ter se livrado da prisão.
- Você ainda não me viu louca, Matt! - Diz Suzi, acelerando o carro.
- Posso saber por que está envolvida nisso e porque devo confiar em você?
- Claro, meu amor! Eu vou te contar tudo. Prometo! Agora, se você não confiar em mim, em quem você confiaria?
- Acho bom mesmo, Suzi, porque já estou farto de ser enganado.- Diz Matt, revoltado e observando as fotos em que estava Smith nos dias dos crimes. - Agora, o que me preocupa é a Brendha.
- Fica tranqüilo, Matt! - Diz Suzi. - Você vai achá-la!



Nesse ínterim, Smith folheia alguns documentos quando o telefone toca.
- Oi, é o Sr. Smith falando! O que descobriu?
- Senhor, até agora nem sinal do Mathew. - Diz um dos policiais.
- Tudo bem. Continue na posição e me avise se o virem.
De repente, o telefone celular toca e ele vê no visor. É uma chamada de Mathew.
- Espera um instante! - Ele deixa o telefone fora do gancho e atende o celular. - Mathew, onde está, meu rapaz?
- Sr. Smith, o plano não deu certo. Tive problemas na operação, mas está tudo bem agora. - Ele revela.
- Mas onde você estava? - Pergunta Smith, preocupado.
- Eu fui deixado num terreno baldio e me levaram toda a grana. Consegui encontrar o celular por sorte e por isso, estou te ligando. - Ele resolve mentir, sob o olhar fixo de Suzi no volante.
Suzi que estava ao seu lado fica atenta na conversa do rapaz com o delegado, mas não desvia a atenção do volante.
- Quer que eu mande alguém pra te buscar?
- Não será necessário. Eu consegui uma carona e estou indo pra delegacia agora. Alguma informação nova por aí?
- Bom, por enquanto nada. Mas é bom saber que você está vivo e que está bem. E agora, quais são as chances de pegar esse bandido?
- Senhor Smith, vamos continuar com o plano da festa de Justine. Se estivermos certos desde o início, o criminoso vai atacar outra vez e desta vez, será quem imaginamos. - Diz Matt.


Sei o que Fazer

- Ok! - Diz o delegado, consentindo.
Ao desligar o telefone, Matt diz á Suzi:
- Vamos ver até aonde vai esse jogo?
- Mas você tem certeza de que o seu chefe está envolvido?
- Eu não sei de mais nada, Suzi! Eu não sei nem se devo confiar em alguém.
- Matt, não diga isso! Você sabe que estou do seu lado. Até te salvei.
- Mas um mistério pra mim, Suzi! Porque está nesse jogo e porque me salvou? Eu só queria pelo menos entender isso.
- Não se preocupe, Matt! Você vai entender tudo. - Diz Suzi, confiante. - Agora, vamos até a Brendha!
Ao chegarem no local, os dois ficam desolados ao perceber que a menina sumira novamente e que mais uma vez, não conseguiram encontrá-la.
- Nada por aqui! - Diz ele, se lamentando.
- Tenha calma meu amor! Vamos fazer o jogo deles.- Diz Suzi, determinada.
- Tem algum plano em mente?
- Acho que sim! - Diz ela, séria.

Dias se passam e Suzi resolve fazer uma ligação anônima. Em seguida, alguém atende do outro lado da linha.
- Então, você quer mesmo fazer isso?
- Sim. Eu quero! - Ela responde, determinada.
- Está entrando numa área arriscada moça.
- Eu já estou envolvida. Não tenho escapatória.
- Ótimo! Aguarde meu contato que brevemente estarei te ligando novamente.
- Obrigada! Você não sabe o favor que me presta.
- Preciso te fazer uma pergunta antes que desligue.
- Diga! - Diz ela, já ciente do que deveria ser.
- Tem algum motivo pessoal pra me pedir isso? Suzi, você sabe que a conheço bem.
- Se eu dissesse que não, estaria mentindo.
- Entendi. Enfim, se cuida ok! Tenho muito carinho por você.
- Obrigada! Aguardo contato! - Diz Suzi, desligando. - Agora, Matt vai perceber o quanto eu sou de confiança pra ele.

Na delegacia, Sr. Smith pensa em tudo que Matt lhe disse sobre o fato de ter sido abandonado e ter perdido toda a grana que havia arrecadado para a liberdade da menina.
- Alguma coisa não está certa. - Diz ele, pensativo sobre a mesa.
De repente, Matt surge no escritório e o encontra.
- Como anda os preparativos pra festa de Justine?
- Até agora, tudo está indo bem. Matt, me responda algo?
- Sim. - Ele diz, pegando um café.
- Você chegou a reconhecer algum dos bandidos que o deixaram neste tal terreno baldio?
- Não senhor, porque eu praticamente caí numa cilada organizada por eles.
- Hum. Entendi! Mas você, Matt um cara super corajoso, equilibrado, cair numa cilada?
- O que está insinuando?
- Você vacilou legal, Matt! Onde estava com a cabeça? Só podia ser naquela mulher de novo né?


Preciso descobrir a Verdade

- Sr. Smith, eu caí naquela cilada totalmente de propósito. Não houve vacilo! Apenas deixei-me levar todo o dinheiro. Foi uma simples jogada de mestre.
- Sabe o que eu acho, Matt? Você está sabendo de algo e não quer contar-me. Alguma coisa aconteceu neste depósito.
- Sr. Smith, por acaso está desconfiando da minha pessoa? Você acha que eu iria mentir justamente para o senhor que cuidou de mim durante esse tempo todo, que me ensinou como se comportar como um policial honesto e corajoso? – Questiona Matt - Não me conhece?
Smith fica pensativo com as palavras do policial e diz:
- Desculpa, Matt! Eu confio em você, meu amigo e sei que não mentiria pra mim.
Matt se sente aliviado por dentro e responde:
- Então, está preparado pra pegarmos de vez esse criminoso?
- Com certeza, meu amigo! - Diz ele, apertando a sua mão.

Suzi consegue encontrar o paradeiro de Brendha e a jovem decide ligar para Matt. Sem hesitar, ele reúne alguns policiais e vão para o endereço marcado. Smith acredita que pode ser outro alarme falso.
Chegando no local, Matt reconhece alguns comparsas do tal desconhecido que falou com ele naquele galpão abandonado e dá sinal pra avançarem. Ele entra escondido num antigo prédio, onde parecia ser um cárcere privado e luta com alguns homens a mão armada. As frotas policiais circundam a área e conseguem prender alguns homens que faziam a segurança do local. Matt finalmente encontra Brendha, que estava toda amarrada e amordaçada. Ele retira as cordas que a prendem e depois, a abraça fortemente, trazendo conforto e esperança.
- Obrigada! - Diz ela, agradecendo aos prantos, tentando conter a emoção de que foi salva daquela prisão.
- Não precisa agradecer, Brendha! Eu estou aqui e nada vai lhe acontecer de mal agora. Fica calma! - Diz ele, determinado a levá-la pra bem longe dali.
Horas depois, o delegado brinda por Brendha estar viva e Matt fica feliz que conseguiu salvá-la das mãos dos bandidos.
Já o desconhecido homem pra quem Suzi trabalha, fica irritado ao saber do acontecimento e promete fazer vingança. De repente, o telefone toca e ele atende num só toque.
- O que você quer, sua cadela, safada?
- Eu vim te dizer que o seu plano falhou, meu amor!
- Vagabunda! Por que você arruinou meus planos?
- Simples. Porque eu não sou mais a sua mulher, o seu objeto sexual, o seu ursinho de dormir. Eu me tornei uma pessoa de princípios e eu estou disposta a mudar pra melhor. Não quero mais ser sua escrava!
- Você acha que Matt vai viver ao seu lado pra sempre? Está enganada, Suzi! Quando ele descobrir quem é você de verdade, pode esperar! Seus dias estarão contados. Ah e não se esqueça querida: eu ainda tenho a família de Matt comigo!
- Eu não tenho medo de ameaças e nem do que pode acontecer comigo. Se Matt descobrir a verdade, tudo certo! Mas é bem provável que ele descubra uma coisa antes e você sabe perfeitamente o que é. Você arruinou o passado de Matt. Quanto a família dele, se prepare porque ele não vai deixar barato.
- Eu o quê? Está brincando comigo! Eu não tenho nada a ver com o passado do seu namoradinho. - Diz ele, resmungando.
- Tem certeza? Porque conforme eu descobri pelos meus contatos, você causou a morte de pessoas inocentes no passado. Matt, por incrível que pareça, jamais perdoaria que os seus pais foram cruelmente assassinados e que o assassino está bem perto do que ele possa imaginar.
- Você andou se informando demais ao meu respeito e isso não é bom, minha cara! - Diz ele, sendo ameaçador.
- Fazer o quê, meu amor? Eu aprendi com a vida e você me ensinou muita coisa. Mas chegou a hora de você saber que eu sei me cuidar sozinha e que aquela garota inexperiente, hoje se tornou uma mulher determinada e que vai fazer de tudo pra ser feliz e escrever a sua própria história, sem que ninguém impeça isso! - Ela termina o assunto e desliga o telefone, fazendo com que ele fique furioso de raiva.


Atenção: Para dar continuidade a leitura de "Atração Fatal", a obra está disponibilizada na Amazon e Plataforma Wattpad:


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